Resumo Capitalismo Parasitário – Zygmunt Bauman

O livro Capitalismo Parasitário do autor Zygmunt Bauman está estruturado em cinco capítulos. O primeiro capítulo trata da imperfeição do sistema capitalista, que não consegue concilia a coerência com a completude, pois quando age com coerência aos seus princípios gera problemas que não consegue solucionar, e se tenta solucionar os problemas gerados pelos seus fundamentos principais acabam por afastar-se deles, como afirmava Gödel.
O autor, nesse capítulo, faz uma comparação entre o capitalismo e o parasitismo, em que para garantir a sua sobrevivência um parasita busca um organismo saudável e ainda não explorado para que este lhe forneça o alimento necessário, fatalmente prejudicando seu hospedeiro e destruindo suas chances de prosperidade e até mesmo de sobrevivência.Assim como o parasita, o capitalismo explora novas formas, novos recursos em busca da obtenção de lucro necessária para alimentar o sistema.

Esse sistema surpreendeu a muitos estudiosos do assunto quando encontrou além da exploração de recursos exóticos uma nova fonte de exploração, a concessão de crédito rápido e fácil para aqueles que buscavam uma maneira fácil e quase que imediata de obter dinheiro, sendo um dos principais exemplos do autor as “hipotecas subprime”.

A capacidade de sobrevivência desse sistema está na perspicácia em que se buscam e encontram-se novos organismos para a exploração a medida que os atuais vão perdendo as forças ou extinguem-se, e na rapidez em que o parasita se adapta ao novo organismo.
O grande questionamento feito é de até quando o capitalismo entrará novas fontes de exploração e até quando essas explorações serão suficientes para garantir um alívio temporário ao sistema e a todos os que sobrevivem em torno dele?
Os capitalistas sempre se manterão em busca de novas formas de obtenção de lucro em busca de adiar a hora em que suas fontes virão a secar, e o farão de qualquer forma e a qualquer custo.
Ainda nesse capítulo o autor coloca como exemplo das formas de exploração dos meios capitalistas e suas conseqüências, a utilização dos cartões de crédito.
Os bancos aproveitam-se da atitude consumista das pessoas que para manter seus desejos de consumo adquirem créditos e mais créditos, acabando por afundar-se em uma dívida sem fim. Dívida que cada vez mais alimenta o capitalismo e engorda os bolsos dos banqueiros.
Contudo, esse tipo de prática que tem levado ao endividamento milhares de pessoas, fazendo com que a inadimplência tome proporções catastróficas, mesmo assim o governo e os adeptos ao capitalismo ainda consideram a “contração de créditos” é a chave da prosperidade econômica.
Para garantir que esse organismo possua uma vida útil ainda maior a solução encontrada pelos Estados que possuem esse problema foi a recapitalização das empresas emprestadoras e a reabilitação de seus devedores para o crédito, para que a normalidade possa ser restabelecida.
O Estado também possui grande importância para a manutenção desse sistema cabendo a ele “Primeiro, subvencionar o capital caso ele não tenha o dinheiro necessário para adquirir a força produtiva do trabalho. Segundo, garantir que valha a pena comprar o trabalho, isto é, garantir que a mão de obra seja capaz de suportar o esforço do trabalho numa fábrica”, conforme afirma Bauman.
O Estado e o mercado andam lado a lado na maioria das vezes e mesmo tratando-se de uma democracia ou uma ditadura a tendência é que o governo caminhe em prol dos interesses do mercado e não contra. A função dele é garantir que o mercado mantenha-se vivo e saudável sempre.
O segundo capítulo do livro intitulado “A Cultura da Oferta” subdivide-se em três partes, a primeira parte trata sobre o tipo de sociedade em que vivemos, uma sociedade em que o valorizamos exageradamente o consumo, uma verdadeira sociedade do consumo que gira em torno de ofertas que geram uma satisfação temporária.
A cultura tem por característica a sua desvinculação dos laços sociais, políticos, éticos, etc. Característica adquirida por meio da criação de incontáveis ofertas, no envelhecimento rápido daquilo que se adquire e na rápida perda de sedução que o objeto gerava no se adquirente.
Critica-se o fato de que os produtos que se consomem se tornam facilmente obsoletos, e com uma facilidade ainda maior, novos produtos se tornam o objeto de desejo por parte dos consumidores que os adquirem para substituir os “antigos”, tornando nossa economia, uma economia da dissipação e do desperdício, conforme afirma o autor.
Os pertencentes à sociedade do consumo possuem uma relação muito desprovida de apego, de determinação e fixação com as pessoas ao seu redor, com as coisas que adquirem, com o que gostam, entre outros. Eles possuem uma facilidade incrível para desapegar-se. Esse tipo de cultura busca constantemente clientes a seduzir e não “pessoas” a cultivar, conforme coloca o autor. A felicidade é sempre encontrada com o ato de consumir e de se desfazer do que foi adquirido, pois este já é considerado obsoleto.
A segunda parte é intitulada “Novos Desafios para a Educação” que versa sobre a crise atual que a educação está enfrentando, crise que traz a tona problemas nunca antes enfrentados, problemas de difícil solução.
No mundo líquido-moderno as pessoas procuram não manter vínculos sólidos com os outros seres humanos, a liberdade é prezada acima de tudo e entende-se que com vínculos sólidos ela é tolhida, limitada de algumas maneiras. Acredita-se que os vínculos sólidos trazem consigo inúmeras obrigações e, conseqüentemente, limitam a capacidade de percepção de novas oportunidades. A hipótese de ser ligado a algo por muito tempo causa medo e pavor, afinal, as pessoas estão acostumadas a se desfazer de tudo com muita facilidade.
Só são quistos os laços e vínculos que possam ser desfeitos a qualquer momento de forma prática e rápida quando já não forem considerados novidade. Procura-se o que é descartável, aquilo que possui “vida útil” muito prolongada não chama a atenção.
A educação não foge a regra, o tipo de conhecimento buscado é aquele que se aprende e se descarta facilmente, a felicidade nesses casos também se encontra do ato de adquirir e se desfazer facilmente, ela também se transformou em “produto”, fator que não favorece a educação institucionalizada.
Outro aspecto ressaltado sobre a educação é o da sua sujeição a todas as mudanças que ocorrem no mundo, mudanças que não têm sido poucas, o que aumenta ainda mais a dificuldade apresentada inicialmente, pois torna o futuro cada vez mais imprevisível. Não há como negar que no mundo líquido as mudanças ocorreram maneira mais rápida do que se podia imaginar.
A educação nasceu na sociedade sólida em que as coisas em geral eram feitas para ter grande durabilidade, nesse mundo a memória era muito valorizada, quanto maior a memória maior o valor. Hoje ela é considerada quase inútil, pois já existem produtos que nos servem de “memória”, mais uma vez o capitalismo transforma algo em produto. O mercado se sobrepõe a tudo, ou pelo menos quase tudo.
O nosso aprendizado passa a ser baseado nas tentativas e erros, estamos expostos a inúmeros estímulos de naturezas diversas que acabam por nos causar uma enorme confusão, estamos fadados a sair de uma confusão e entrar em outra logo em seguida, porque vivemos inseridos no meio delas, o que aprendemos nesses casos é estar preparados para lidar com situações ambíguas e precárias, conforme afirma o autor.
Bauman ainda coloca a diferença entre os empregados do mundo líquido-moderno em contraposição aos empregados do mundo sólido, o primeiro deve ser inusitado, possuir características incomuns que o façam destacar-se dos demais, deve ser flexível, suas características advêm da sua personalidade. Já o segundo apenas precisava seguir as regras ditadas por seus patrões, não precisavam ter grandes diferenciais, haja vista que desempenhariam serviços massivos, duráveis, administrados e controlados de forma rígida. Para atender as demandas exigidas pelo mercado atual são necessários professores que sigam essa característica moderna, professores que venham a ensinar coisas novas e não coisas antigas já exaustivamente trabalhadas, o conhecimento buscado é o “novo”.
Ele critica o excesso de informações a que somos expostos diariamente que possuem uma capacidade impressionante de reduzira nossa autoconfiança, pois dificultam ainda mais o encontro de soluções, resultando na imediata autodepreciação e no autoescárnio. As informações são separadas por graduações de peso cientifico, todas são medidas com o mesmo grau de relevância. Somente a quantidade de informações que uma pessoa pode carregar consigo é que importa, a qualidade e o peso científico pouco importam.
Esse fato gera uma preocupação muito grande para os educadores, pois nenhum deles sabem lidar com um mundo hipersaturado de informações não aprendidas e muito menos de ensinas as pessoas a lidarem com tal situação.
A terceira parte intitulada “A Relação Professor/Aluno na Fase Líquido-Moderna” trabalha com a idéia de que hoje as dificuldades de compreensão entre gerações é cada vez maior, as constates mudanças do mundo líquido-moderno tem potencializado tal situação, afinal, as características presentes na época de cada geração têm sido as mais diversas possíveis, dificultando esse “diálogo” entre gerações. O conforto e o desconforto com fatos do dia a dia são inerentes a cada geração.
A geração atual não dá mais tanta importância para os contatos mais profundos com alguém, com o advento da internet as relações são cada vez mais frouxas, os laços entre as pessoas são cada vez mais fracos e são mantidos ou eliminados através de um só “click”. A internet permite que as pessoas se reinventem o tempo todo e que criem uma nova identidade sempre que assim quiserem.
O terceiro capítulo é intitulado “A Sociedade do Medo” trata sobre os medos causados pelo modo de agir da sociedade líquido-moderna, medos que nos causam uma enorme insegurança, medos que não são enraizados Esses medos são explorados política e comercialmente, sendo interessante para ele que os medos sejam mantidos e a insegurança seja estimulada, pois a partir de tal situação as pessoas passam a consumir coisas ou a acreditar em grande parte das afirmações feitas por parte do governo, acreditando dessa forma poder aniquilar esse tipo de sentimento.
Nessa “nova” sociedade as pessoas pararam de perceber o quanto suas ações refletem na vida de outras pessoas, que certas ações impulsivas e impensadas podem gerar até mesmo algum dano àquele que convivem juntos. Os sujeitos são cada vez mais individualistas e esse individualismo é fonte causadores de inúmeros danos como a perda da autoestima. Ninguém gosta de lidar com a idéia de que as vezes não é quem pensa, gerando um ressentimento extremamente prejudicial para a sociedade, um ressentimento considerado fato causador de conflitos rebeliões e revoltas. Tais sofrimentos são tidos pelas pessoas como uma ofensa pessoal que só seria amenizada com uma vingança pessoal. Essas desigualdades que a sociologia procura amenizar.
Bauman apresenta-se de certa maneira esperançoso com relação a construção de uma sociedade melhor para todos, para ele o mundo pode ser um lugar mais agradável de se viver, ele acredita que através da sensatez e da dignidade o homem possa fazê-lo.
O quarto capítulo recebeu o nome de “O Corpo em Contradição” e trata das reações que nosso corpo sofre mediante os desafios e as contradições presentes no nosso modo de vida. O autor coloca a anorexia e a bulimia como exemplos de patologias cada mais freqüentes e relacionadas com a sociedade atual, tratam-se de reações patológicas que tem como principal causa a dificuldade em encontrar soluções para os dilemas e duvidas constantemente presentes em nosso meio.
O quinto capítulo chama-se “Um Homem com Esperanças” nele Bauman coloca, principalmente, a sua dificuldade de caracterizar-se como alguém pessimista ou otimista, pois não acredita se encaixar em nenhum desses pólos. Ele coloca-se como um pertencente à categoria dos “homens com esperança”, um homem que acredita que os homens são capazes de tomar decisões e que suas escolhas podem ser boas a ponto de criar um mundo melhor.

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Bruna Calsolari

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